Inventário polínico para acervo palinológico da vegetação de canga da serra sul de Carajás, Pará

Autor(es): MACAMBIRA. Higor Jardim
Resumo: A implantação de um acervo palinológico possibilitará um maior detalhamento taxonômico das espécies vegetais e a análise comparativa dos tipos polínicos encontrados em amostras de sedimento do Quaternário da Serra dos Carajás, Estado do Pará. Além disso, os dados contidos no acervo subsidiarão estudos paleoambientais e paleoclimáticos na Serra dos Carajás, uma vez que permitirão a identificação precisa das espécies de plantas, espaço físico e fatores abióticos que condicionam o ecossistema e determinam a distribuição das populações de determinada comunidade. Este trabalho visa iniciar a montagem de banco de dados palinológico (palinoteca) e desenvolver um estudo aplicado sobre a utilização desta palinoteca na sistemática de grãos de pólen de Poaceae, da vegetação de canga da Serra dos Carajás e suas aplicações em estudos ecológicos e paleoecológicos. Desta forma, exsicatas existentes no herbário do Parque Zoobotânico de Carajás e herbário do Museu Paraense Emilio Goeldi foram examinadas para preparação dos botões florais para análise palinológica. Foram preparadas inicialmente 228 lâminas referentes a 57 espécies de monocotiledôneas (15 famílias e 43 gêneros), catalogadas e organizadas de acordo com Cronquist (1981, 1988), com as mais novas inclusões de lâminas conforme a APG II e APG III. Este material será depositado em armários Technolach, que podem armazenar um total de 6.534 lâminas, no Parque Zoobotânico de Carajás, o que reforça o interesse da Vale na exposição e divulgação dos trabalhos científicos desenvolvidos pelo Instituto Tecnológico Vale. Dentre as espécies de monocotiledôneas, grãos de pólen da família Poaceae pertecentes aos gêneros Andropogon, Mesosetum, Mnesithea, Eragrostis, Paspalum e Rhytachne foram morfologicamente e estatisticamente analisados na tentativa de agrupar espécies congenéricas, além de espécies ocorrentes em ambientes secos e úmidos da canga da Serra dos Carajás. Esta família é de difícil caracterização morfológica, e sua ocorrência e predominância relativa no registro fóssil é geralmente associada a climas secos e “savanização”. Assim, a análise estatística indicou que os parâmetros tamanho do grão (largura e comprimento) e largura do anulus podem ser os mais adequados para diferenciação entre gêneros. Entretanto, dos gêneros ocorrentes em ambientes úmidos e secos, somente o gênero Axonopus pode ser individualizado. Então, a utilização da abundância de Poaceae em estudos paleoambientais para determinar aridez e “savanização” deve ser realizada com cautela, uma vez que a dificuldade de identificar os grãos em nível de espécies e gênero devido à similaridade alta de características morfológicas pode causar erros na interpretação de dados inferidos a partir da abundância desta família. Contudo, é necessário a inclusão de mais gêneros de Poaceae neste estudo para reforçar ou não esta conclusão preliminar. Dessa maneira, um acervo palinológico possibilitará um maior detalhamento taxonômico das espécies vegetais e a análise comparativa dos tipos polínicos encontrados em amostras de sedimentos para uma identificação segura destas espécies para que problemas interpretativos em futuros estudos paleoambientais sejam minimizados.
Ano: 2015
Páginas: 78 f.
Ano de publicação: 2015
Orientação: José Tasso Felix Guimarães, Dr.
Link para o PDF: Clique aqui
Curso: Mestrado em Uso Sustentável de Recursos Naturais em Regiões Tropicais