(PT) Qualidade química da água superficial e valores de Baseline geoquímico na Bacia do Rio Parauapebas, Carajás, Sudeste da Amazônia

Author(s): QUARESMA, Leandro Silva
Summary: (PT) A bacia do rio Parauapebas – BRP, situada na região sudeste da Amazônia, é uma das principais no contexto da Bacia Hidrográfica do rio Itacaiúnas – BHRI e carece de informações a respeito da qualidade e composição química das águas superficiais. O presente trabalho buscou avaliar a qualidade química das águas superficiais e definir valores de baseline geoquímico. Para isso, no ano de 2017, foram coletadas e analisadas 175 amostras de águas superficiais no período chuvoso e 152 no período de estiagem. Foram determinados sete parâmetros físico-químicos, sendo cinco deles in situ (temperatura, oxigênio dissolvido, pH, condutividade elétrica e potencial redox) com uma sonda multiparamétrica e outros dois (sólidos totais dissolvidos e turbidez) através dos métodos gravimétrico e nefelométrico respectivamente. Além disso, foram efetuadas em laboratório certificado análises químicas para ânions por cromatografia iônica (Cl-, F-, NO3- e SO42-), Ptotal pelo método colorimétrico após digestão ácida e 35 metais por ICP-MS. Foram utilizadas estatística descritiva e multivariada para compreender o comportamento dos principais constituintes nas águas da BRP, correlação geoquímica entre eles e a influência da variação sazonal. Foram utilizadas múltiplas técnicas estatísticas (interativa 2σ, função de distribuição calculada, mediana + 2MAD, TIF e percentis 75, 95 e 98) para a definição de valores de baseline superior na BRP e também calculado Índice de Qualidade Química da Água - IQQA. Verificou-se forte influência da variação sazonal nas concentrações de vários componentes maiores, elementos-traço e nos valores dos parâmetros físico-químicos nas águas da BRP, sendo que a maioria dos elementos químicos mostra valores mais elevados na estação chuvosa. O pH variou de levemente ácido a alcalino (6 a 8) na maioria das microbacias amostradas. Concentrações elevadas de Fe e Mn são características das águas desta região e refletem condições climáticas, pedológicas e geológicas inerentes à Amazônia. Com exceção destes dois elementos e de Al, os demais elementos-traço (B, Ba, Co, Cr, Cu, Ni, Rb, Sn, Sr, Ti, V e Zn) mostraram valores de baseline e concentrações inferiores aos valores máximos recomendados nas resoluções CONAMA 357/05 – classe 2 e WHO/1993. O intemperismo de rochas silicáticas, interpretado com base na química de íons maiores através do gráfico Gibbs mostrou-se como o principal fator a controlar a hidrogeoquímica das águas da BRP. Dois tipos de baseline foram definidos, o baseline superior conservador (BSC), equivalente ao baseline natural, representado pela curva de frequência acumulada e o baseline superior ambiental (BSA), compreendido pela soma das contribuições naturais mais as antropogênicas difusas, representado pelo percentil 98, sendo o mais realista para significativa parte da BRP. Ni e Cr apresentaram enriquecimento em locais onde se concentram rochas máficas e ultramáficas e o Cu ao longo dos cinturões norte e sul de mineralizações deste metal. Verificou-se em áreas desmatadas, particularmente durante a estação chuvosa, evidências de maior mobilidade de alguns elementos e maior aporte de material carreado para as drenagens, implicando maiores concentrações de vários elementos-traço nas águas superficiais. O IQQA da BRP em mais de 90% das microbacias amostradas, foi classificado como variando de ótimo a bom. No alto Parauapebas, contribuições antropogênicas associadas ao uso e ocupação do solo, também foram importantes e se somaram aos efeitos geogênicos.
Year: 2019
Pages: 116 f.
Year of publication: 2019
Supervision: Roberto DAll'Agnol, Dr.
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Course: Master's Degree in Sustainable Use of Natural Resources in Tropical Regions