(PT) Caracterização geológico-geotécnica em perfis lateríticos associados a cavidades da região de Carajás

Author(s): GONÇALVES, Daniele Freitas
Summary: (PT) Diversos estudos vêm sendo desenvolvidos envolvendo os horizontes lateríticos da região amazônica nas últimas décadas, em especial da região de Carajás, devido ao interesse exploratório do minério de ferro e sua relação com desenvolvimento das cavernas. Estudos multidisciplinares são imprescindíveis para a compatibilização da atividade mineral e a preservação das cavidades. Este trabalho tem por objetivo estudar os horizontes de intemperismo, por meio da obtenção de dados geológico-geotécnicos dos litotipos que os compõem. Foram previamente selecionadas duas áreas com características geológicas distintas, localizadas na borda oeste da cava de N4EN, Serra Norte, Carajás. A primeira área N4E-01 localiza-se em domínio geológico de rochas máficas pertencentes a Formação Igarapé Cigarra e a segunda área N4E-02 no domínio das rochas ferríferas da Formação Carajás. Regionalmente, esses domínios mostram-se interdigitados e subverticalizados, com direção norte-sul aproximadamente. Foram realizados levantamento de campo e ensaios de laboratório, tendo como foco três horizontes de intemperismo, do topo para base, a saber: (i) Crosta Laterítica, (ii) Horizonte de Transição e (iii) Saprolito. No domínio das rochas ferríferas foram observados os dois primeiros horizontes, representados, respectivamente, pelos litotipos Crosta laterítica ferruginosa (CLF) e Formação ferrífera laterítica (FFL). No domínio das rochas máficas os três horizontes estão representados pelos litotipos Crosta laterítica ferro-aluminosa (CLFA), Laterita ferro-aluminosa (LFA) e Saprolito de rocha máfica (SAP-RM). Localmente, ocorre nos dois domínios a presença da Crosta laterítica detrítica (CLD). Todos os litotipos mostraram elevada heterogeneidade e foram avaliados quanto às suas características mineralógicas, texturais e geotécnicas, sendo alvo de ensaios de resistência, velocidade de propagação de ondas e densidade. A partir disso, observou -se que: (i) As crostas lateríticas dos dois domínios (CLF e CLFA) mostram-se menos espessas e mais endurecidas, além de apresentar maior proporção de neoformações minerais e menor porosidade em relação aos horizontes subjacentes. (ii) A laterita ferro-aluminosa (LFA) apresenta elevada heterogeneidade, e constitui um horizonte de transição entre o saprolito e a CLFA, exibindo feições típicas destes dois horizontes. (iii) A formação ferrífera laterítica (FFL) constitui o horizonte de transição no domínio da Formação Carajás, e apresenta a típica estruturação das formações ferríferas e fraturas em arranjo subortogonal a oblíquo, embora se mostrem em geral obliteradas ou mascaradas pelo efeito do intemperismo/laterização. (iv) O saprolito, presente no domínio de rochas máficas, apresenta-se parcialmente laterizado, engloba núcleos menos e mais alterados e apresenta foliação reliquiar (por vezes milonítica) e fraturas. Constitui o horizonte menos permeável, onde a textura varia de maciça a porosa e, de forma restrita, vesicular. Apresenta anisotropia marcante a incipiente, marcada pela foliação, sendo esta, por vezes obliterada. (v) Os resultados dos ensaios mostraram, em geral, elevada dispersão dos dados, evidenciando a heterogeneidade das propriedades físicas dos materiais estudados. O litotipo que apresentou os maiores resultados dentre os parâmetros avaliados foi a CLF, seguida da CLFA e FFL, indicando uma melhor qualidade geomecânica para este litotipo (CLF), dentre os demais litotipos. LFA e SAP-RM, apresentaram os menores valores. O volume de dados estudados não possibilitou a obtenção de correlações estatisticamente satisfatórias ou conclusivas entre os parâmetros geomecânicos.
Year: 2019
Pages: 136 f.
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