Uso de invertebrados terrestres como bioindicadores de recuperação ambiental no complexo mineral de Carajás

Autor(es): ROSA, Gilliana Almeida da
Resumo: Bioindicadores são frequentemente utilizados para estudos de avaliação da qualidade ambiental, como monitoramento de áreas degradadas e processos de recuperação. Eles estão associados a características específicas da paisagem e respondem às mudanças ambientais por meio de alterações na composição e estrutura das comunidades. Diante disto, este trabalho tem por objetivo avaliar a influência da revegetação após a mineração sobre as comunidades de invertebrados em diferentes ambientes e definir quais grupos podem ser utilizados como bioindicadores. O estudo foi realizado na Província Mineral de Carajás, situada no sudeste do estado do Pará. Foram definidas oito áreas de estudo onde seis estão em diferentes estágios de revegetação e duas são referência de canga. Três áreas são localizadas nos arenitos e as outras três em pilhas de estéril. Em cada estágio de revegetação foram instaladas 3 parcelas, totalizando 76, tendo cada uma a dimensão de 10 x 10 metros, com quatro armadilhas tipo pitfall, que permaneceram instaladas durante o período de 24 horas para a captura de invertebrados. Os indivíduos coletados foram triados e identificados ao maior nível taxonômico possível. Foram encontrados 17.101 espécimes pertencentes a 72 famílias e 287 morfoespécies. Formicidae destacou-se com 9.018 indivíduos, 39 gêneros e 97 espécies. Foram encontradas 10 famílias nos ambientes de arenito e 15 famílias nas áreas de pilha de estéril que diferiram da composição geral de famílias entre as áreas, demostrando diferença na composição das famílias de invertebrados entre os estágios de revegetação. Para Formicidae, há composição de espécies é similar para ambas áreas de arenito e pilhas de estéril. No ambiente arenito o estágio de revegetação tem influência positiva sobre a riqueza e composição de morfoespécies enquanto no ambiente de pilha de estéril influencia riqueza, diversidade e composição. Nos arenitos a densidade de borda floresta influência positivamente a diversidade e tem efeito negativo sobre a composição de morfoespécies. Área de floresta tem influência positiva sobre a diversidade nos arenitos e densidade de mancha floresta tem influência sobre a riqueza de morfoespécies nas pilhas de estéril. Para família Formicidae, estágio de revegetação tem influência positiva sobre a riqueza, diversidade e composição nos ambientes de arenito e pilha de estéril. A diversidade de shannon, influência de forma positiva a composição de formigas nos arenitos. Distância floresta tem efeito negativo sobre a riqueza. Densidade de mancha floresta influência positivamente a diversidade, área de floresta tem efeito positivo sobre a composição e distância mineração tem influência positiva sobre composição nos ambientes pilha de estéril. Na análise para indicadores de áreas recuperadas no ambiente arenito destacou-se, algumas espécies das ordens Coleoptera, Díptera e Hymenoptera, e em solo exposto as ordens as Colembola e Hymenoptera. No ambiente pilha de estéril, destacam-se como indicadores as ordens Coleoptera, Colembola, Dermaptera, Isoptera e Hymenoptera e nas áreas de solo exposto Coleoptera e Díptera. Assim conclui-se que riqueza e diversidade de invertebrados nos ambientes estudados difere entre as áreas de estágio de revegetação e também é influenciada por características da paisagem ligadas a cobertura vegetal. Como contribuição desta pesquisa, esperamos que os resultados obtidos sobre bioindicadores de revegetação possam ser utilizados em futuros programas de monitoramento para acompanhamento de áreas em recuperação.
Ano: 2019
Páginas: 70 f.
Ano de publicação: 2019
Orientação: Rodolfo Jaffé, PhD; Markus Gastauer, PhD
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Curso: Mestrado em Uso Sustentável de Recursos Naturais em Regiões Tropicais