Selecionando espécies para recuperação de interações planta polinizador na Amazônia oriental

Autor(es): BORGES, Rafael Cabral; SANTOS JÚNIOR, José Eustáquio dos; TYSKI, Lourival; SILVA, Delmo Fonseca da; GIANNINI, Tereza Cristina.
Resumo: A perda de biodiversidade resulta em drásticas alterações nos ecossistemas naturais, entre elas, a quebra de interações bióticas (e. g. interação inseto-planta). Entre as interaçõesbbióticas mais importantes está a polinização, função ecológica responsável pela reprodução da maioria das plantas angiospermas. A importância da polinização é oriunda não apenas da formação de frutos e sementes, que servem de alimento para a manutenção das populações de animais, mas também da manutenção da diversidade genética. Portanto, a restauração da polinização é o passo inicial para qualquer trabalho de recuperação de áreas degradadas. Uma vez tendo reestabelecida a interação entre plantas e polinizadores, há um aumento na fonte de alimento disponível para os animais, que ao serem atraídos garantem o aumento da biodiversidade local e a restauração de outras interações bióticas (e.g. plantas-animais dispersores de sementes). O presente estudo visou: i) caracterizar as diferenças na diversidade de interações planta-polinizador existentes entre as áreas de recuperação pós mineração (minas de areia e de ferro) e as áreas de floresta primária; ii) avaliar a eficiência das métricas de redes de interações como uma ferramenta no processo de seleção de espécies para atuarem em projetos de restauração; e iii) selecionar espécies de plantas e polinizadores capazes de, potencialmente, aumentar o sucesso do processo de recuperação. Para isso foi comparada a diversidade de interações das áreas em recuperação e controle (floresta primária). Foram utilizadas métricas de centralidade e outros atributos de manejo para selecionar espécies com potencial de utilização em estratégias de recuperação das interações planta-polinizador. Um total de 25 redes de interação,17 em áreas de restauração e oito em áreas controle foram amostradas. A diversidade de interações registradas foi maior em áreas de floresta e em áreas em processo inicial de recuperação (pós mineração de areia), porém não diferiu significativamente das outras áreas amostradas. As métricas de redes de interações foram eficientes no processo de seleção de espécies, sendo aconselhado o seu uso em projetos de restauração em outros ecossistemas. A partir das métricas, da diversidade de parceiros e do potencial de manejo avaliado para cada espécie foram selecionadas até agora 20 espécies (10 plantas e 10 abelhas) para serem utilizadas em estratégias de restauração nas áreas de canga da Amazônia Oriental. Com a continuidade dos estudos, novas espécies poderão ser priorizadas.
Ano: 2019
DOI: 10.29223/PROD.TEC.ITV.DS.2019.32.Borges
Tipo de relatório: Relatório parcial
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