Reprodução e crescimento de Isoetes L. endêmicas das Serra de Carajás

Autor(es): AGUIAR, Keyvilla da Costa
Resumo: As Serras de Carajás abrigam elevado número de espécies endêmicas. Dentre elas, duas pertencentes ao gênero Isoetes L. (Isoetes serracarajenis e Isoetes cangae) foram recentemente descritas. Considerada uma espécie vulnerável, populações de I. serracarajensis podem ser encontradas em lagos temporários da Serra Norte e Serra Sul. Porém, I. cangae foi descrita com uma única população ocorrendo apenas em um lago permanente, conhecido popularmente como lago do Amendoim e localizado no corpo de canga da Serra Sul, próximo à frente de lavra do Projeto de Ferro S11D. Recentemente, esta espécie foi listada como criticamente ameaçada segundo os critérios da IUCN. Ambas as espécies são objetos de estudo por requererem ações de conservação. Portanto, o presente trabalho, organizado sob a forma de dois Relatórios Técnicos, objetivou examinar as formas de reprodução de ambas as espécies e avaliar o crescimento de I. cangae em substratos oriundos dos lagos dos campos ruprestres de Carajás. Para tal, plantas de I. serracarajensis e I. cangae foram coletadas das áreas de ocorrência e cultivados no ITV DS. Esporângios foram coletados da base foliar de cada espécie, esterilizados e posteriormente micrósporos e megásporos foram inoculados em agua destilada. Foi observado que I. cangae se reproduz de forma sexuada (fecundação), ainda que não tenha sido evidenciada diferença significativa entre autofecundação e fecundação cruzada. Além disso, foi observada uma taxa de apenas 2% de megásporos de I. cangae que se reproduziram via apogamia. Enquanto isso, a reprodução de I. serracarajensis ocorreu através da produção de perfilhos que apresentaram alta taxa de sobrevivência quando cultivados separados da planta mãe. As diferentes estratégias de propagação podem advir de adaptações aos hábitats de ambas as espécies. Para avaliar o crescimento de I. cangae em diferentes substratos, esporófitos foram cultivados por nove meses em sedimentos provenientes dos lagos de Carajás (TI3 e N6), bem como substrato orgânico comercial (Jiffy-7®). Todas as plantas cresceram e completaram o ciclo reprodutivo, marcado pelo desenvolvimento de esporângios na base das folhas mais externas. Segundo análises de fluorescência da clorofila ‘a’, todas as plantas de I. cangae apresentaram valores que apontam para boa eficiência quântica, sem sinais de estresses. Valores mais altos foram observados para estas plantas cultivadas nos substratos oriundos dos lagos de Carajás. No entanto, os melhores resultados de crescimento e produção de estruturas reprodutivas foram obtidos em plantas cultivadas no substrato do lago temporário de N6. Estes resultados reforçam o potencial de I. cangae poder se adaptar a outros ambientes além do lago Amendoim. No entanto, como este estudo foi realizado com plantas submersas, ensaios de tolerância a redução do nível de água são ainda necessários.
Ano: 2020
Páginas: 24 f.
Ano de publicação: 2020
Orientação: CALDEIRA JÚNIOR, Cecílio Frois (PhD); GASTAUER, Markus (PhD)
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Curso: Mestrado em Uso Sustentável de Recursos Naturais em Regiões Tropicais