Ocorrência de espeleotemas fosfáticos e feições morfológicas raras em cavernas ferríferas da Serra de Carajás, no Pará.

Autor(es): SCHERER, Rafael dos Santos
Resumo: Em pouco mais de 10 anos, a região de Carajás se tornou a maior província espeleológica de cavernas ferríferas (formação ferrífera e canga) do país. Atualmente são conhecidas aproximadamente 2.300 cavernas. No entanto, uma parcela destas cavernas desenvolveu feições morfológicas distintas e espeleotemas diferenciados, considerados raros, incluindo estalagmites, colunas e estalactites de fosfatos, além de coralóides com reduzida ocorrência. O objetivo deste trabalho é aprofundar o conhecimento sobre as feições morfológicas distintas e espeleotemas raros estudando sua mineralogia e morfologia. Para isso, foram realizados estudos cartográficos, geoespeleológicos e mineralógicos em sete cavernas visando uma melhor compreensão da origem e evolução desses depósitos químicos e feições morfológicas. Para investigar a mineralogia dos depósitos químicos foram utilizados métodos de difração de raio-X e flourecência de raio-X. A análise morfológica foi realizada a partir dos levantamentos topográficos em nível 5D e estudos geoespeleológicos. Estas avaliações permitiram identificar cavernas com apenas câmaras compostas constituídas por mais de um compartimento. Planimetricamente as sete cavernas se enquadraram no padrão espongiforme. As seções longitudinais mostraram cavernas com pisos inclinados, concordantes com a vertente. Todas apresentam drenagem perene ou temporária onde se acumulão águas pluviais que participam do escoamento subsuperficial das encostas. O gotejamento e o escoamento são os principais responsáveis pela geração de diversas feições nos pisos e nas paredes. O guano existente nas cavernas, possivelmente, é o responsável pela geração da expressiva acidez da água que circula nessas cavernas. Os processos que formam esses espeleotemas e feições raras são, principalmente, biogenéticos e estes são formados quase que exclusivamente de fosfato. Os principais minerais fosfáticos identificados foram: francoanellita, fosfosiderita, fosfato de cálcio, leucofosfita, newberyita, sfeniscidita, variscita e strengita. No grupo dos fosfatos ocorreram dois minerais raros, a Francoanellita e a Newberyita, ambos com pouca ocorrência no mundo e registrados pela primeira vez no Brasil.
Ano: 2016
Páginas: 112 f.
Ano de publicação: 2016
Orientação: Pedro Walfir Martins Souza-Filho, Dr.
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Curso: Mestrado em Uso Sustentável de Recursos Naturais em Regiões Tropicais