Impacto da precipitação nas paradas de embarque de minério de ferro no terminal marítimo de Ponta da Madeira, São Luís/MA

Autor(es): MENDES, Ana Rita Leal
Resumo: Os eventos extremos de precipitação são considerados como um dos fatores externos naturais que mais afetam direta ou indiretamente as atividades da cadeia produtiva da mineração (mina, ferrovia e porto) particularmente no Sistema Norte da Vale (Pará e Maranhão). No presente trabalho, o foco é na investigação dos impactos do regime pluviométrico nas operações de embarque de minério de ferro no Terminal Marítimo de Ponta da Madeira (TMPM) em São Luís/MA. Baseado em análises estatísticas descritivas e cálculo de correlações entre os dados mensais e sazonais de precipitação e paradas operacionais (horas por mês) de embarque de minério no TMPM no período de 2013 a 2018 (mais o primeiro semestre de 2019) foram obtidos resultados que comprovam a relação direta e positiva entre os dados. Nos meses do regime chuvoso, entre janeiro a junho, ocorre cerca de 90% da precipitação anual e também se registram os maiores percentuais de horas paradas no processo de embarque, cerca de 85% da média anual. Nos meses do regime seco, embora com pluviometria em menor intensidade, também se verificou correlação positiva, ou seja, períodos de precipitação mais intensos são coincidentes com maior número de horas paradas de embarque no porto. Os dados de paradas do processo de embarque de minério apresentaram uma tendência positiva de crescimento no período de 2013 a 2019, sendo que este último ano foi muito atípico, com recordes nos meses de março e abril de 2019 que registraram um total de 347 e 425 horas, respectivamente, as quais correspondem em torno de 14 dias em março e cerca de 17 dias em abril com as operações de embarque de minério paradas. Portanto, as paradas operacionais de embarque pelo motivo de mau tempo representam um problema relevante para o Sistema Norte da Vale. Diante dessa problemática, foi feito uma análise para estimar as perdas econômicas decorrentes das paradas operacionais de embarque de minério. Os resultados indicam números expressivos, por exemplo, entre fevereiro e maio, as perdas são da ordem 1 milhão de toneladas por mês de minério que não é efetivamente embarcado devido as paradas no processo de embarque. Transformando a quantidade de minério não embarcado em perdas financeiras, a Vale deixou de embarcar cerca de 356 milhões de dólares (quase um bilhão e meio de reais) entre os meses de fevereiro e maio. Tais resultados são relevantes para as atividades de planejamento estratégico e tomadas de decisão da Diretoria de Portos Norte da Vale, possibilitando ações mais assertivas, considerando-se que os estudos indicam a intensificação de eventos extremos de pluviometria na estação mais chuvosa do ano, portanto, carecendo a adoção de medidas preventivas para minimização dos potenciais impactos negativos advindos das paradas operacionais por mau tempo (chuva). Por fim, recomenda-se a aquisição de um Radar Meteorológico Banda X (polarização dupla), objetivando o monitoramento em tempo real e alertas (nowcasting) dos eventos de chuva que subsidiarão as operações do TMPM, tanto para definir o tempo certo para desligar (pré-chuva) e o tempo certo para religar (pós-chuva) o sistema de embarque, potencializando o aumento de volume embarcado no TMPM.
Ano: 2020
Páginas: 28 f.
Ano de publicação: 2020
Orientação: Everaldo Barreiros de Souza, Dr.
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Curso: Mestrado em Uso Sustentável de Recursos Naturais em Regiões Tropicais