Estudo etnobotânico nos quintais da comunidade quilombola de Monte Alegre, Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo

Autor(es): CUNHA, Andressa Catharina Mendes
Resumo: O presente trabalho foi realizado na comunidade quilombola de Monte Alegre, área rural do município de Cachoeiro de Itapemirim no estado do Espírito Santo. Objetivou-se, com o trabalho, investigar o conhecimento tradicional sobre as plantas dos quintais da comunidade através das seguintes perguntas: Quais são as plantas úteis? Qual a utilidade dessas espécies e qual parte vegetal é a mais utilizada? Quais categorias de uso de plantas são mais importantes para a comunidade? Quantas espécies são nativas da Mata Atlântica? Essas questões objetivaram registrar e classificar a diversidade de espécies consideradas úteis pelos locais, conforme o grau de importância e utilidade para eles. Cabe ressaltar que o estudo toma como hipótese que os quilombolas classificam as plantas conforme a utilidade que lhes atribuem. Os dados foram coletados entre abril e junho de 2014 através de entrevistas com a aplicação de questionários semiestruturados com informantes de ambos os gêneros e idade entre 25 e 81 anos. Foram entrevistados representantes de 24% das famílias da comunidade, selecionados através da técnica da “Bola de Neve”. Para obter a relação de espécies consideradas úteis nos quintais foi utilizada a técnica da listagem livre (freelist). A referida listagem livre foi usada para calcular o Índice de Saliência Cultural (IS) de cada espécie, gerado através do software Visual Anthropac-Freelists 4.0. O Valor de Uso (VU) de cada espécie foi obtido através da razão entre o somatório do número de usos mencionados por cada informante para a espécie e o número total de informantes. Através de dados de similaridade obtidos a partir dos itens citados na listagem livre, utilizou-se a técnica do empilhamento com as 20 plantas de maior IS. A técnica objetivou testar a hipótese de que os quilombolas de Monte Alegre classificam as plantas de acordo com sua utilidade. Os resultados obtidos no empilhamento foram avaliados por meio da Análise de Escalonamento Multidimensional (MDS). Foram identificadas 128 espécies, pertencentes a 51 famílias, das quais 19.53% são nativas da Mata Atlântica; 10.93% são nativas de outros biomas, 67.18% originam-se de outros países (exóticas) e 2.34% não puderam ser classificadas quanto à origem. As famílias mais representativas são: Lamiaceae, Asteraceae e Rutaceae com 12, 11 e 07 espécies, respectivamente. As espécies foram classificadas nas seguintes categorias de uso: Alimentar, Medicinal, Ritualística, Higiene, e Sombra com 43, 42, 5, 2 e 1 espécies respectivamente. Algumas espécies (36) se enquadraram em mais de uma categoria. As partes mais citadas na utilização foram: Fruto (309 citações), Folha (217 citações) e Raiz (38 citações). As plantas são utilizadas principalmente: In natura, sob forma de chá e suco, com 308, 163 e 114 citações para essas formas de utilização. Uma mesma espécie teve mais de uma parte e uso mencionados. As espécies com maior IS foram Mangifera indica L. (0,483), Musa sp. L. (0,427) e Citrus sinensis (L.) Osbeck (0,384). As que apresentaram maior VU foram Mangifera indica L. (1,677), Psidium guajava L (1,258), e Musa sp. L (1, 225). A MDS confirmou que a comunidade classifica as plantas de acordo com seus usos, visto que a maioria dos informantes as agrupou de maneira semelhante. A comunidade quilombola estudada detêm grande variedade de plantas em seus quintais empregadas em usos diversos. Isso contribui para a conservação das espécies nativas ao evitar o extrativismo nos remanescentes florestais onde estão inseridos.
Ano: 2015
Páginas: 72 f.
Ano de publicação: 2015
Orientação: Salim Jordy Filho
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Curso: Mestrado em Uso Sustentável de Recursos Naturais em Regiões Tropicais