Dinâmica paleoambiental e mudanças climáticas do quaternário tardio registradas em ambiente lacustre da serra sul de Carajás, sudeste da Amazônia

Autor(es): REIS, Luiza Santos
Resumo: Diversos estudos paleoecológicos e paleobotânicos evidenciaram condições climáticas mais secas na Amazônia durante o Pleistoceno Superior e o Holoceno (últimos 100.000 anos), com oscilação de temperatura e precipitação. Isto possivelmente favoreceu a contração da floresta tropical e expansão de campos rupestres naturais. Para avaliar a influência das mudanças paleoclimáticas no desenvolvimento e distribuição da vegetação foi realizado um estudo integrado com base em análises faciológicas e palinológicas de um testemunho sedimentar de lago preenchido do platô da Serra Sul de Carajás. O perfil sedimentar coletado forneceu ~47.000 mil anos de registros sedimentar e polínico, abrangendo as mudanças ambientais ocorridas na transição Pleistoceno Tardio-Holoceno. No período de 47.000 a 34.000 anos A.P., os depósitos sedimentares, predominantemente lamosos e orgânicos, apresentaram um comportamento cíclico, caracterizado pela variação no influxo de materiais alóctones e autóctones no lago. O registro polínico mostrou altas percentagens de taxa de formação florestal (Miconia affinis/elata, Brosimum sp, Helicostylis sp, Casearia sp, Alchornea sp Anacardiaceae e Burseraceae) e de elementos adaptados a regiões montanhsas de clima frio (Ilex, Weinmannia, Podocarpus, Alnus, Dacrydium e Myrsine). Estes dados juntamente com taxa de macrófitas, pteridófitas, algas e fungos, apontaram condições climáticas úmidas e frias. Posteriormente, no período entre 34.000 a >20.000 a A.P., foi observado um hiato no registro polínico. Depósitos lamosos sobrepostos por uma camada de siderita (FeCO3) sugerem condições relativamente úmidas interrompidas por eventos secos decorrentes do UMG, que ocasionaram modificações diagenéticas nos sedimentos, propiciando a formação de siderita. De ~20.000 a 17.500 a A.P., a presença de lama maciça indicou influxo de material sedimentar para o lago. O registro polínico mostrou a abundância de savanas (Poaceae, Borreria verticillata) e de palmeiras, com destaque para a ocorrência de Mauritia sp, vegetação típica de ambientes hidromórficos, sugerindo uma mudança para condições relativamente úmidas. O período seguinte, entre 17.500 e >5.000 anos A.P., foi composto por altas percentagens de savanas e pela diminuição na abundância de palmeiras e formações florestais. A presença de fácies de lama oxidada próxima ao final deste período, indica a redução no nível de água do lago e exposição subaérea do depósito sedimentar sob condições climáticas mais secas. Nos últimos 5.000 anos A.P., ocorreu o retorno de condições úmidas. Isto favoreceu o aumento no influxo de sedimentos para o lago e na taxa de sedimentação, o que sugere um aumento na taxa de precipitação. Além disso, ocasionou o crescimento da produtividade do lago indicada pela alta percentagem de esporos de algas. A ocorrência de fácies de lama laminada sobreposta por fácies de turfa herbácea indicou a deposição predominante de material autóctone/orgânico na bacia sedimentar concomitante com a diminuição no espaço de acomodação, e posterior estabelecimento da vegetação herbácea no interior do lago preenchido por volta de 2.500 anos A.P.
Ano: 2015
Páginas: 59 f.
Link: http://pergamum.itvds.org:81/vinculos//000009/00000962.pdf
Ano de publicação: 2015
Orientação: Dr. José Tasso Felix Guimarães
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