Controle químico de gramíneas exóticas e impacto ambiental de herbicidas na Floresta Nacional de Carajás.

Autor(es): CASTILHO, Alexandre Franco
Resumo: A ocorrência de fauna e flora exótica em determinados ambientes são potencialmente danosos às espécies e relações de cadeias tróficas, podendo causar impactos ambientais de grande magnitude. Na Floresta Nacional (FLONA) de Carajás há ocorrência de diversas espécies de gramíneas exóticas, principalmente as do gênero Urochloa, que se adaptaram muito bem às condições da região. Tal fato preocupa os órgãos ambientais em função da ameaça destas espécies à biodiversidade. O controle de plantas do gênero Urochloa tem grande eficiência por meio do uso de herbicidas com a molécula glyphosate. Em face deste contexto, objetivou-se avaliar o controle químico de gramíneas exóticas, presentes na Floresta Nacional de Carajás e o respectivo impacto de herbicidas na microbiota do solo. Foram realizados dois experimentos com o objetivo de avaliar: i) o efeito de diferentes formulações e doses crescentes de glyphosate no controle de Urochloa humidicola e Urochloa brizantha e ii) a atividade microbiana do solo como bioindicador do impacto ambiental de glyphosate. O primeiro experimento foi realizado em duas áreas experimentais no interior da FLONA de Carajás, sendo uma com ocorrência de Urochloa humidicola e outra com U. brizantha. Foram utilizados blocos experimentais de 4 x 7 m (28 m²) onde se procedeu à aplicação dos tratamentos. Foram utilizadas três formulações comerciais de glyphosate (Roundup Original®, Roundup Ultra® e Roundup WG®) nas dosagens de 0; 240; 480; 720 e 1440 g de ingrediente ativo em equivalente ácido ha-1 . O delineamento experimental foi em blocos casualizados com quatro repetições. Para eficiência de controle, foi utilizada avaliação visual dos sintomas de toxicidade, atribuindo-se notas de acordo com os sintomas de toxidez na parte aérea das plantas, com base em escala variando de 0 a 100%, sendo que 0% representa nenhuma injúria e 100%, a morte das plantas. A melhor dose foi estabelecida como sendo aquela que proporcionasse 90% de controle. Foram ajustadas equações de regressão para explicar o fenômeno biológico das variáveis avaliadas. No segundo experimento foi feita coleta de solo de 0 a 10 cm, em área experimental no interior da FLONA de Carajás, com posterior peneiramento e secagem ao ar. Vasos plásticos com volume de 800 ml foram revestidos com sacos plásticos de polipropileno e preenchidos com 500 g de solo oriundo dos mesmos tratamentos do primeiro experimento, sendo avaliado o seu efeito sobre a atividade microbiana em dois momentos: logo após a aplicação e no 28º dia. Foram analisados o Carbono da Biomassa Microbiana (CBM), a respiração microbiana e o quociente metabólico. Foi feita análise de variância a 5% de probabilidade pelo teste F e comparação das médias pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Médias distintas da testemunha (dosagem 0) foram consideradas como impacto do herbicida na atividade microbiana. No primeiro experimento foi observado em todas as situações, um incremento no percentual de controle de plantas de U. humidicola e U. brizantha com o aumento das doses dos herbicidas com posterior estabilização. Para U. humidicola a menor dose que proporcionou 90% de controle foi de 318 g i.a. em equivalente ácido ha-1 da formulação Roundup Ultra® enquanto para U. brizantha a menor dose que proporcionou 90% de controle foi a de 873 g i.a. em equivalente ácido ha-1 da formulação Roundup WG®. No segundo experimento não foi observado impacto negativo do uso de qualquer dose e formulação estudada na atividade microbiana do solo.
Ano: 2015
Páginas: 65 f.
Ano de publicação: 2015
Orientação: Nei de Melo Rivello
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Curso: Mestrado em Uso Sustentável de Recursos Naturais em Regiões Tropicais