30/08/2019

Workshop internacional reúne especialistas do estudo da biodiversidade de espécies de plantas e animais com o sequenciamento de DNA

Promovido pelo Instituto Tecnológico Vale e pelo Projeto CABANA, da Inglaterra, evento pretende discutir ferramentas moleculares e computacionais para auxiliar a tomada de decisões da indústria, de agências de governo e na promoção da pesquisa

A cidade de Belém, no Pará, vai reunir na semana que vem alguns dos maiores especialistas do mundo no uso de ferramentas de sequenciamento de DNA para estudos de espécies de plantas, animais e micro-organismos para conservação ambiental. As tecnologias, chamadas de DNA barcoding e metabarcoding, permitem a identificação mais rápida de espécies da biodiversidade e é um processo complementar à descrição morfológica, realizado por taxonomistas, naturalmente mais demorado. “O uso da tecnologia molecular agiliza a identificação de plantas e animais e, num cenário em que taxa de extinção de espécies do planeta é maior do que a de descrição, essa ferramenta é fundamental para a ciência”, explica o pesquisador Guilherme Oliveira, do Grupo de Genômica Ambiental do Instituto Tecnológico Vale (ITV), organizador do workshop internacional em parceria com o Projeto CABANA, do Instituto Europeu de Bioinformática, em Cambridge, na Inglaterra.

O público-alvo do evento são pesquisadores, representantes de governos, empresas e estudantes, que se interessam pelo uso e implementação de tecnologias moleculares e bioinformática no estudo e conservação da biodiversidade e no uso sustentável de recursos naturais. Entre os palestrantes, estarão especialistas brasileiros e da Noruega, Argentina, Reino Unido e Canadá. “Nosso objetivo é de promover o uso de ferramentas moleculares e computacionais para auxiliar a tomada de decisões da indústria, de agências de governo e na promoção da pesquisa”, afirma Oliveira. No caso da Vale, por exemplo, o uso da tecnologia de sequenciamento de DNA auxilia a empresa na restauração ambiental dos ambientais impactados por suas operações. A tecnologia permite estudar algumas espécies, que são de difícil identificação morfológica ou que geram dúvidas quanto à sua classificação. “Algumas espécies necessitam de maior resolução para a determinação do limite entre elas ou para uma caracterização mais detalhada da sua fisiologia, do ponto de vista dos genes que possui. Assim o DNA barcode aliado a abordagens que dão maior profundidade, chegando ao sequenciamento genômico completo, permitem a resolução deste tipo de problema”, completa o pesquisador do ITV.

O ITV tem um dos mais completos laboratórios da América Latina em tecnologia de sequenciamento de DNA para este fim. Os pesquisadores do instituto utilizam ainda a proteômica, uma ferramenta adicional para a avaliação ambiental e de espécies de interesse. Associados ao uso de supercomputadores e análises de bioinformática, incluindo ferramentas de inteligência artificial, é possível produzir uma fotografia molecular com altíssima resolução da biodiversidade de um ambiente, desde árvores e mamíferos até invertebrados e bactérias. “Com essa ferramenta, conseguimos analisar o DNA ambiental, que permite identificar plantas e animais que vivem no local a partir da coleta de rastros de DNA que deixam no ambiente. É uma abordagem que requer a construção de bibliotecas de referência do local. De posse das referências, podemos usar as mais modernas tecnologias de sequenciamento massivo de DNA, acompanhadas de ferramentas analíticas de bioinformática, para dizer quais as espécies que ali ocorrem. Estas ferramentas estão sendo desenvolvidas como novas abordagens que podem substituir ou complementar estudos de levantamento e monitoramento da biodiversidade”, explica o especialista do ITV.