13/06/2017 Pesquisa

Trabalho inovador do ITV em Genômica Ambiental facilita identificação da flora de Carajás

No mês em que a Vale completa 75 anos de atuação, convidamos a olhar para o futuro da mineração. O que nossa empresa está fazendo para o amanhã da atividade? Na última terça-feira, iniciamos aqui no Vale@Informar uma série de matérias sobre as iniciativas do Instituto Tecnológico Vale (ITV) (clique aqui para relembrar)​. Dando continuidade, hoje apresentamos um projeto para a identificação de plantas da flora de Carajás com o uso de código de barras de DNA.

A equipe de pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale (ITV), em Belém, no Pará, desenvolveu um trabalho inovador que vai tornar mais fácil, rápido e com menor custo a avaliação das espécies de plantas que compõem a fauna e Carajás. Trata-se da utilização de códigos de barras de DNA para identificar as plantas encontradas na região.

Guilherme Oliveira utiliza o banco de dados. Foto: arquivo Vale

Pesquisador e biologista molecular da equipe do ITV, Guilherme Oliveira explica que o código de barras de DNA é uma pequena região do genoma das espécies de interesse. “Quando se trata de espécies animais, já existe uma região específica do DNA que foi consagrada como a região alvo para esse tipo de análise. No caso de plantas, entretanto, são várias regiões que podem ser usadas. No trabalho do ITV são usadas 10 regiões diferentes”, ressalta.

Para isso, o Instituto fez um trabalho minucioso de avaliação genética conjuntamente a catalogação das espécies que compõem a Flora de Carajás, cujo primeiro volume foi publicado recentemente.

Informações encontradas no banco de dados
“Temos agora o que chamamos de um banco de dados de DNA referenciado pela Flora publicada. Na prática significa que, da próxima vez que alguém for a campo coletar uma planta, ela não necessariamente terá que passar antes por avaliação do taxonomista, que é o profissional especializado na classificação dos seres vivos.

Isso porque é possível, através da análise molecular, já saber, com margem de certeza bastante grande, qual é a espécie daquela planta. Assim o trabalho do taxonomista vai ser direcionado para as áreas mais problemáticas de identificação de plantas”, revela Guilherme.

O pesquisador ainda relata que, quando as plantas foram coletadas, os espécimes foram enviados para herbários públicos e, através de um grande consórcio de taxonomistas, inclusive do ITV, foi feita a taxonomia tradicional de cada uma dessas espécies. Ou seja, a validação da espécie. Em paralelo, a equipe do ITV recebeu o material para fazer a avaliação molecular das plantas. O trabalho também integrou equipes da Vale.

Atualmente o grupo de Genômica Ambiental do ITV já estudou mais de 3 mil espécimes, que correspondem a cerca de 60% dos gêneros de plantas que são conhecidas em Carajás, mas o trabalho continua e o objetivo é chegar o mais próximo possível dos cem por cento até o final de 2017.

Comunidade Científica

Uma vez que os dados são publicados, eles são disponibilizados em dois bancos públicos. Um deles é o GENBank e o outro é o BOLDSystem. O primeiro agrega todas as sequências de DNA já publicadas pelo mundo inteiro. Já o BOLDSystem é um banco especializado em códigos de barras de DNA.

No ITV existe, ainda, um banco denominado ITVBioBase, com o foco em Carajás e áreas de interesse da empresa, que permite controlar toda a atividade de campo e produção de códigos de barras feita pelo Instituto. Este banco contém as sequências públicas e as que estão em produção. Um diferencial do ITVBioBase é a inclusão de ferramentas de análise. As ferramentas computacionais são centrais para a adoção das abordagens moleculares pela empresa”, finaliza Guilherme Oliveira.

Em situações específicas em que maior resolução é necessária o grupo do ITV realiza estudos de base genômica, que passam pela determinação do código genético completo de espécies de interesse da empresa. O trabalho de código de barras de DNA e genômica também está sendo realizado com espécies cavernícolas em próxima colaboração com a espeleologia da Vale. Além disso, assinaturas moleculares a partir de amostras do ambiente estão em desenvolvimento para o estabelecimento de uma nova geração de ferramentas moleculares de avaliação e monitoramento ambiental.

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