18/05/2017 Pesquisa

Pesquisa com participação do ITV pode ajudar a erradicar a esquistossomose no mundo

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Sustentável. Foto: Arquivo Vale

Você sabia que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 240 milhões de pessoas estão infectadas no mundo com a esquistossomose e outras 700 milhões vivem em áreas de risco? Para combater a doença parasitária, transmitida pelo caramujo Biophalaria, um consórcio mundial de cientistas realizou estudo do sequenciamento do DNA do caramujo e conseguiu levantar informações-base que podem permitir bloquear a transmissão do parasita Schistosoma mansoni, o causador da doença, e contribuir para o alcance da erradicação mundial da esquistossomose até 2025, meta estabelecida pela OMS. A pesquisa, que possui coautoria de um pesquisador do Instituto Tecnológico Vale (ITV), foi publicada nesta terça-feira (16/5) na revista Nature, referência mundial de publicações cientificas.

“Um exemplo do estudo é que moléculas quimiorreceptoras que o caramujo usa para se deslocar no ambiente podem ser bloqueadas e inviabilizar a sua sobrevivência. Da mesma forma, os mecanismos de resistência do caramujo ao parasita podem ser explorados geneticamente graças às informações geradas pelo trabalho e, por fim, pode-se agora atuar mais efetivamente para interromper a transmissão do parasita e traçar um mapeamento genético da distribuição desses caramujos o que ajuda no desenho de métodos de controle”, destaca o biologista molecular e pesquisador do ITV de Belém, Guilherme Oliveira, um dos coautores do artigo, que se chama ‘Whole genome analysis of a schistosomiasis-transmitting freshwater snail’ (em tradução livre: Análise do genoma do caramujo de água doce Biomphalaria que transmite a esquistossomose).

Estudo levou dez anos para ser concluído

Antes do estudo, que durou quase uma década para ser concluído, fazia-se a avaliação de uma proteína ou um gene do organismo do caramujo, ou seja, um aspecto isolado da fisiologia da espécie. “Após o sequenciamento do genoma, é possível ver o funcionamento do organismo do ponto de vista molecular, de maneira global”, acrescenta Guilherme.

A coordenação do estudo foi dos pesquisadores da Universidade do Novo México, nos Estados Unidos, e o sequenciamento do genoma foi realizado na Universidade de Washington também nos EUA, com a participação de dezenas de grupos em todo o mundo. Guilherme esteve à frente do grupo de trabalho brasileiro pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) com a colaboração da Universidade Federal de Uberlândia, em Minas Gerais. Atualmente, já como pesquisador do ITV, Oliveira liderou a análise dos dados produzidos pelo antigo grupo da Fiocruz e coordenou a produção do artigo cientifico submetido à Nature. A elaboração do documento gerou um volume de informação com mais de 200 páginas, disponíveis à comunidade cientifica e acadêmica na busca continua de novas alternativas de combate ao molusco transmissor da esquistossomose.

Saiba mais sobre a doença

Também conhecida como barriga d’água, a esquistossomose é mais comum em locais onde não existe esgotamento sanitário ou o nível de saneamento é baixo. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, estima-se que cerca de 1,5 milhão de pessoas vivem em áreas sob o risco de contrair a doença. Os estados das regiões Nordeste e Sudeste são os mais afetados sendo que a ocorrência está diretamente ligada à presença dos caramujos transmissores. Atualmente, a doença é detectada em todas as regiões do país. As áreas endêmicas e focais abrangem 19 estados.