Redução da Umidade do Minério

Pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale, de Ouro Preto (MG), testam tecnologia visando à redução moderada da umidade em sínter feed de minério de ferro, através da injeção de ar quente e seco em chute de transferência. Esta tecnologia poderá reduzir um impacto que, há anos, recai sobre o custo de produção do principal produto da empresa: a umidade. Atualmente, o minério de ferro da Vale embarcado no porto apresenta, em média, 9,5% de umidade. Ou seja, tomando como exemplo um Valemax, o maior mineraleiro do mundo, de 400 mil toneladas, isso representa 36 mil toneladas de água que saem do Brasil e seguem para os principais clientes da empresa do outro lado do mundo.

A origem da água no minério se apresenta de duas maneiras. De um lado, a umidade está relacionada com a própria composição física do mineral. De outro, com o beneficiamento realizado a úmido, que ainda ocorre em muitas minas da Vale. Processos como a flotação, usada para aumentar o teor de ferro do minério, usam água. Além do custo mais visível – o frete e o desconto pela venda do minério de ferro à base seca no porto de destino – a água representa um dispêndio maior no seguro da carga transportada no navio e, ainda, em alguns casos, pode provocar a interrupção de um carregamento no porto.

Há mais de uma década, a Vale estuda como reduzir a umidade, mas todas as soluções se mostraram inviáveis economicamente até agora. Pelo método convencional, é possível usar secadores industriais, mas, por conta dos grandes volumes movimentados de minério de ferro pela empresa, os custos de investimentos (capex) e de operação (opex) desses equipamentos não compensam. Foi aí que entrou a solução que vem sendo desenvolvida pelo ITV há dois anos. O objetivo é reduzir entre 1% a 1,8% a umidade do minério de ferro.

Em vez de de usar os secadores industriais, a saída foi adaptar o chute de transferência de minério de ferro como câmera de secagem. Os chutes são equipamentos fechados onde é realizada a mudança de direção das correias transportadoras, que levam o minério do pátio para o navio. A ideia é injetar ar quente e seco dentro do chute de transferência em contracorrente – ou seja, de baixo para cima – quando o minério estiver passando por ali, visando à remoção moderada da água. O equipamento proposto utiliza desumidificadores e aquecedores para tratamento do ar atmosférico, que é injetado no chute de transferência. A proposta é a utilização de um sistema movido a gás, podendo ser gás liquefeito de petróleo (GLP) ou gás natural.

A solução desenvolvida pelo ITV-MI foi submetida a uma prova de conceito em escala industrial que se mostrou bem-sucedida, onde os resultados observados permitiram concluir que é possível reduzir os teores de umidade do minério de ferro dentro da faixa de projeto, com custos OPEX na ordem de centavos de dólar por tonelada processada. Como próximos passos, se faz necessário a continuidade das pesquisas visando à consolidação da tecnologia pelo próprio ineditismo trazido pelo projeto, que conta com um pedido de patente depositado e em análise.